"Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
– Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não...."
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Digitado por Turma 301 às 23:09 0 comentários
Operário em Construção
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.
Digitado por Turma 301 às 23:01 0 comentários
segunda-feira, 6 de julho de 2009
O Operário em construção - Vinicius de Moraes
De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.
O operário, não compreendia porque do tijolo valer mais do que o pão; o pão de que ele necessitava todos os dias, para comer! E assim, ele foi trabalhando com essa dúvida, sendo explorado e construindo, inclusive prisões que caso ele não estivesse trabalhando como operário, provavelmente teria que roubar para comer, e acabaria nela!
Laura Gross
Digitado por Turma 301 às 21:46 0 comentários
Operário em Contrução - Vinicius de Moras
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!
Digitado por Turma 301 às 21:05 0 comentários
Operário em Construção
"Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
– Garrafa, prato, facão –
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão."
Nessa estrofe o operário começa a perceber ao seu redor, o seu verdadeiro valor. Passa a entender que mesmo sendo um humilde operário, ele era um ser humano que tinha a sua própria vida, que construía a sua própria vida. Retrata perfeitamente a valorização que depois de um tempo o operário passou a ter consigo mesmo.
Bianca Fenner
Digitado por Turma 301 às 16:54 0 comentários
domingo, 5 de julho de 2009
2ª estrofe de Operário em Construção
"Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão."
-Vinícius de Moraes-
Era o operário que erguia casas, mas não "erguia" seu conhecimento, apesar de saber tudo sobre sua profissão, para o operário construir casas era como para uma criança comer doces. Pode adorar levantar casas, mas nem ao menos percebe que está preso somente a isso. Resumindo, o operário é apenas um operário, aquele que só pensa no trabalho e esquece de viver, e trazendo isso para o nosso cotidiano, ao passar dos anos nós mesmos nos tornamos operários e somente, esquecendo de viver "a vida lá fora".
Samantha Spall
Digitado por Turma 301 às 19:08 0 comentários