segunda-feira, 9 de março de 2009

A Idéia

De onde ela vem?! De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cal de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?

Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!

Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas da laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica...

Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No molambo da língua paralítica!

Na poesia acima o Eu lírico demonstra certa dúvida de onde as idéias surgem. Ele compara-as às forças do mal e ao abstrato. Cita que as idéias são frutos do inexistente e da desintegração ("Do feixe de moléculas nervosas que em desintegrações maravilhosas delibera, e depois quer e executa"). Dessa mesma forma, dá-se a entender que nem sempre as idéias são analisadas e/ou refletidas antes de pô-las em prática.

Ricardo Gomes

A louca - Augusto dos Anjos

A louca

Quando ela passa: - a veste desgrenhada,
O cabelo revolto em desalinho,
No seu olhar feroz eu adivinho
O mistério da dor que a traz penada.

Moça, tão moça e já desventurada;
Da desdita ferida pelo espinho,
Vai morta em vida assim pelo caminho,
No sudário de mágoa sepultada.

Eu sei a sua história. - Em seu passado
Houve um drama d’amor misterioso
- O segredo d’um peito torturado -
E hoje, para guardar a mágoa oculta,
Canta, soluça - coração saudoso,
Chora, gargalha, a desgraçada estulta.

Interpretação:
O poema fala sobre uma moça que sofrera por um amor que não deu certo e acabou se tornando uma mágoa profunda como lembrança, e por fim tal sentimento a deixou tão abalada que ela começou a ter problemas psicológicos, mentais, sendo então chamada por outros de louca.

Lillian R. Machado

Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e retilância,
Sofro,desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-se à boca uma ânsia análoga a ânsia
Que se escapa da boca um cardíaco.

Já o verme- este operário das reúnas
Que o sangue podre das carnificinas
Come, a á vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânoca da terra!


Interpretação
A linguagem usada por Augusto dos Anjos é bem diferente das linguagens
existentes nos outros poetas.
Ele usa palavras anti-poéticas como o carbono, amoníaco, epigênesis hipocondríaco
verme...Todas as palavras usadas por ele provém da ciência Química.
O eu-lírico encara a vida e a si mesmo de uma maneira pessimista negativa,
pois para ele o homem é matéria química e acredita que tudo caminha para destruição.
A morte que é enfocada nas duas ultimas estrofes é considerada o destino final e
fatal, pois representa pela imagem do verme a comer"sangue podre".


Jéssica Trevisan Raymundo

Vandalismo - Augusto dos Anjos

Vandalismo


"Meu coração tem catedrais imensas,
Templos de priscas e longínquas datas,
Onde um nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças.


Na ogiva fúlgida e nas colunatas
Vertem lustrais irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.


Como os velhos Templários medievais
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos claros e risonhos ...

E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
No desespero dos iconoclastas
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos! "



Interpretação, por Andressa Marian da Silva:

O eu- lírico relata o auto-descobrimento.
Descreve como antes era puro e intocado, até o momento em que resolve explorar os cantos desconhecidos do seu coração.
Ao chegar a esse interior, ele descobre que toda a beleza que nele permanecia não pode mais continuar intacta, pois agora ela dará lugar a outros sentimentos não tão belos e não tão inocentes, conforme ele tem de encarar a realidade.
Ele tem que destruir os sentimentos bons que são a fraqueza do ser humano, ao invadir o seu próprio coração, dando nome assim, à poesia: Vandalismo.

domingo, 8 de março de 2009

A Minha Estrela

E eu disse - Vai-te, estrela do Passado!
Esconde-te no Azul da Imensidade,
Lá onde nunca chegue esta saudade,
- A sombra deste afeto estiolado.

Disse, e a estrela foi p’ra o Céu subindo,
Minh’alma que de longe a acompanhava,
Viu o adeus que do Céu ela enviava,
E quando ela no Azul foi-se sumindo

Surgia a Aurora - a mágica princesa!
E eu vi o Sol do Céu iluminando
A Catedral da Grande Natureza.

Mas a noute chegou, triste, com ela
Negras sombras também foram chegando,
E nunca mais eu vi a minha estrela!

O autor, refere-se à estrela do passado como seu irmão, que por ventura se foi. E com ela, foi-se junto a alma do próprio autor, dando aquele adeus entre o céu azul. Num modo fantasioso, ele descreve o adeus dado a ele próprio. E logo mais chegando ao fim do poema, ele mostra que realmente o irmão morto, não se é mais visto. E quando a noite chega, a estrela dele, não aparece novamente.


André F. Parcianello

SAUDADE

Hoje que a mágoa me apunhala o seio,
E o coração me rasga atroz, imensa,
Eu a bendigo da descrença em meio,
Porque eu hoje só vivo da descrença.

À noite quando em funda soledade
Minh'alma se recolhe tristemente,
Pra iluminar-me a alma descontente,
Se acende o círio triste da Saudade.

E assim afeito às mágoas e ao tormento,
E à dor e ao sofrimento eterno afeito,
Para dar vida à dor e ao sofrimento,

Da saudade na campa enegrecida
Guardo a lembrança que me sangra o peito,
Mas que no entanto me alimenta a vida.


Interpretação: Com esse poema Augusto dos Anjos consegue demonstrar com palavras sentimentos que só quem já sofreu por saudade consegue entender. Porém acredito que o diferencial desta poesia, (e particularmente o detalhe que me chamou mais a atenção) é o fato de ela terminar afirmando que se sentimos a saudade é porque temos algo ou alguém que nos motive a sentir isso, e são essas lembranças boas que acabam nos fazendo não só superar os sentimentos ruins, como também nos dando motivo para viver!

Bibiana Ramos

Vozes da Morte

"Agora, sim! Vamos morrer, reunidos,
Tamarindo de minha desventura,
Tu, com o envelhecimento da nervura,
Eu, com o envelhecimento dos tecidos!

Ah! Esta noite é a noite dos Vencidos!
E a podridão, meu velho! E essa futura
Ultrafatalidade de ossatura,
A que nos acharemos reduzidos!

Não morrerão, porém, tuas sementes!
E assim, para o Futuro, em diferentes
Florestas, vales, selvas, glebas, trilhos,

Na multiplicidade dos teus ramos,
Pelo muito que em vida nos amamos,
Depois da morte, inda teremos filhos!"



Interpretação:
O poema possui como tema principal a morte, e nele é utilizado alguns termos como: "Ultrafatalidade de ossatura",
"podridão", "envelhecimento dos tecidos", que são considerados termos anti-poéticos, muito utilizados por Augusto dos Anjos. Nas duas primeiras estrofes, o poema ganha características mais pessimistas, falando mais sobre a morte, como é mostrado nos fragmentos:
"
Agora, sim! Vamos morrer, reunidos"
e
"
E a podridão, meu velho! E essa futura
Ultrafatalidade de ossatura,
A que nos acharemos reduzidos!
"
E nas duas últimas estrofes do poema, a morte é deixada um pouco de lado para mostrar as coisas que hão de vir após ela, como pode ser observado nos fragmentos a seguir:
"Não morrerão, porém, tuas sementes!"
e
"Depois da morte, inda teremos filhos!"

Pedro Augusto Lamana Barboza

Nimbos

Nimbos de bronze que empanais escuros
O santuário azul da Natureza,
Quando vos vejo, negros palinuros
Da tempestade negra e da tristeza,


Abismados na bruma enegrecida,
Julgo ver nos reflexos de minh’alma
As mesmas nuvens deslizando em calma,
Os nimbos das procelas desta vida;


Mas quando o céu é límpido, sem bruma
Que a transparência tolde, sem nenhuma
Nuvem sequer, então, num mar de esp’rança,


Que o céu reflete, a vida é qual risonho
Batel, e a alma é a Flâmula do sonho,
Que o guia e o leva ao porto da bonança.

Nesta poesia, as características de pessimismo e de uma linguagem " vulgar "
podem ser abservadas, o eu poético fala sobre a diferença entre as tempestades e os céus limpos, na qual o primeiro trás tristeza, desgraça, maldade e enquanto isso, o segundo mostra esperanças, sonhos e alegrias

Samuel Etges Gepiak ;P

sexta-feira, 6 de março de 2009

APÓSTROFE À CARNE

APÓSTROFE À CARNE

Quando eu pego nas carnes do meu rosto
Pressinto o fim da orgânica batalha:
- Olhos que o húmus necrófago estraçalha,
Diafragmas, decompondo-se, ao sol posto...

E o Homem - negro e heteróclito composto,
Onde a alva flama psíquica trabalha.
Desagrega-se e deixa na mortalha
O tato, a vista, o ouvido, o olfato e o gosto!

Carne, feixe de mônadas bastardas.
Conquanto em flâmeo fogo efêmero ardas,
A dardejar relampejantes brilhos.

Dói-me ver, muito embora a alma te acenda,
Em tua podridão a herança horrenda,
Que eu tenho de deixar para os meus filhos!


Neste poema, o autor apresenta o que há de mais nojento, podre, e pessimista, contando versos que vão desde a decomposição da matéria até a visão filosófica e ao mesmo tempo trágica da vida.
"Em tua podridão a herança horrenda,
Que eu tenho de deixar para os meus filhos!"

Rafael Carlesso Aita

terça-feira, 3 de março de 2009

A Obsessão do Sangue

Acordou, vendo sangue... Horrível! O osso
Frontal em fogo... Ia talvez morrer,
Disse. Olhou-se no espelho. Era tão moço,
Ah! Certamente não podia ser!

Levantou-se. E, eis que viu, antes do almoço,
Na mão dos açougueiros, a escorrer
Fita rubra de sangue muito grosso,
A carne que ele havia de comer!

No inferno da visão alucinada,
Viu montanhas de sangue enchendo a estrada,
Viu vísceras vermelhas pelo chão...

E amou, com um berro bárbaro de gozo,
O monocromatismo monstruoso
Daquela universal vermelhidão!

Augusto dos Anjos

Nesta poesia de Augusto dos Anjos, o eu-lírico relata a história de um jovem que, ao acordar vê sangue e acredita que está para morrer. Logo depois, num momento de desvaneio, tem uma alucinação onde vê montanhas de sangue e vísceras vermelhas espalhadas pelo chão, e surpreendentemente ama aquele monocromatismo monstruoso.
A poesia apresenta várias características presentes na obra do "poeta do mal gosto", tais como: toques de subjetivismo, uso de termos antipoéticos (montanhas de sangue, vísceras vermelhas...) e características de poesia gótica (amar a cor vermelha de sangue e vísceras).

Gustavo Arrua Fantinel

Guerra

Guerra é esforço, é inquietude, é ânsia, é transporte... E a dramatização sangrenta e duraVir Deus num simples grão de argila errante, Da avidez com que o Espírito procura É a Subconsciência que se transfiguraEm volição conflagradora... E a coorteDas raças todas, que se entrega à mortePara a felicidade da Criatura! É a obsessão de ver sangue, é o instinto horrendo De subir, na ordem cósmica, descendo A irracionalidade primitiva... É a Natureza que, no seu arcano,Precisa de encharcar-se em sangue humano Para mostrar aos homens que está viva!


Nessa poesia, Augusto dos Anjos, descreve e relata o significa da guerra e o que ela representa, todos os esforços dos humanos em uma batalha sangranta, onde existe sofrimento e dor, pessoas lutando por uma causa, por um espírito, buscando um Deus. O desejo humano de ver o sofrimento, morte e dor para mostrar seu poder. Augusto ainda fala dos homens que podem ter tanto poder, na hora da guerra serem tão primitivos e derramarem tanto sangue.

Juliane Ferreira.

Versos d’um exilado

Eu vou partir. Na límpida corrente
Rasga o batel o leito d’água fina
- Albatroz deslizando mansamente
Como se fosse vaporosa Ondina.
Exilado de ti, oh! Pátria! Ausente
Irei cantar a mágoa peregrina
Como canta o pastor a matutina
Trova d’amor, à luz do sol nascente!

Não mais virei talvez e, lá sozinho,
Hei de lembrar-me do meu pátrio ninho,
D’onde levo comigo a nostalgia
E esta lembrança que hoje me quebranta
E que eu levo hoje como a imagem santa
Dos sonhos todos que já tive um dia!
Augusto dos Anjos
Interpretação:

O autor refere-se ao sentimento de exílio, isto é, um afastamento de sua amada terra. No decorrer do poema, ele lembra-se das belezas da pátria, e acompanhado a isso, ressalta a questão da saudade e da mágoa de não estar em seu “pátrio ninho”, e também dos sonhos ou projetos que realizou ou deixou de realizar.
Êmily de Amarante Portella

Eterna Mágoa

O homem por sobre quem caiu a praga
Da tristeza do Mundo, o homem que é triste
Para todos os séculos existe
E nunca mais o seu pesar se apaga!

Não crê em nada, pois, nada há que traga
Consolo à Mágoa, a que só ele assiste.
Quer resistir, e quanto mais resiste
Mais se lhe aumenta e se lhe afunda a chaga.

Sabe que sofre, mas o que não sabe
É que essa mágoa infinda assim, não cabe
Na sua vida, é que essa mágoa infinda

Transpõe a vida do seu corpo inerme;
E quando esse homem se transforma em verme
É essa mágoa que o acompanha ainda!

Augusto dos Anjos

O poema eterna mágoa no meu ponto de vista tenta passar para os leitores a idéia de que essa tristeza que o acompanha é imortal, na sua vida ele sempre vai ter junto à ele a mágoa dessa tal praga e por mais que ele tente escapar dela, ele só vai conseguir carregá-la junto de um modo que só aumentará a sua dor.

Mariane Takahama.

segunda-feira, 2 de março de 2009

À MESA

"Cedo à sofreguidão do estômago. É a hora
De comer. Coisa hedionda! Corro. E agora,
Antegozando a ensangüentada presa,
Rodeado pelas moscas repugnantes,
Para comer meus próprios semelhantes
Eis-me sentado à mesa!

Como porções de carne morta... Ai! Como
Os que, como eu, têm carne, com este assomo
Que a espécie humana em comer carne tem!...
Como! E pois que a Razão me não reprime,
Possa a terra vingar-se do meu crime
Comendo-me também."

Augusto dos Anjos

No meu ponto de vista, esta poesia de Augusto dos Anjos mostra que a vida é uma luta constante entre as pessoas no mundo em que vivemos, onde essas são capazes de 'comerem' seus proprios semelhantes, se for preciso, como ele mostra nos seguintes versos: "Para comer meus próprios semelhantes", "Eis-me sentado à mesa!".

Caroline Pivetta Maia

A meu pai doente.

A meu Pai doente

Para onde fores, Pai, para onde fores,
Irei também, trilhando as mesmas ruas...
Tu, para amenizar as dores tuas,
Eu, para amenizar as minhas dores!

Que cousa triste! O campo tão sem flores,
E eu tão sem crença e as árvores tão nuas
E tu, gemendo, e o horror de nossas duas
Mágoas crescendo e se fazendo horrores!

Magoaram-te, meu Pai?! Que mão sombria,
Indiferente aos mil tormentos teus
De assim magoar-te sem pesar havia?!

— Seria a mão de Deus?! Mas Deus enfim
É bom, é justo, e sendo justo, Deus,
Deus não havia de magoar-te assim!

Augusto dos Anjos


Como podemos ver, neste poema, Augusto dos Anjos demonstra angústia perante a doença do pai e descrença quanto a sua recuperação. Ele parece inconformado, e querendo saber quem foi o causador dos males do pai. Na primeira estrofe, ele deseja, sentir a mesma dor que o pai sente, como se isso pudesse amenizar a dor que ele sente, e ao mesmo tempo cura-lo.

Laura Gross

Sofredora - Augusto dos Anjos

SOFREDORA

Cobre-lhe a fria palidez do rosto
O sendal da tristeza que a desola;
Chora - o orvalho do pranto lhe perola
As faces maceradas de desgosto.

Quando o rosário de seu pranto rola,
Das brancas rosas do seu triste rosto
Que rolam murchas como um sol já posto
Um perfume de lágrimas se evola.

Tenta às vezes, porém, nervosa e louca
Esquecer por momento a mágoa intensa
Arrancando um sorriso á flor da boca.

Mas volta logo um negro desconforto,
Bela na Dor, sublime na Descrença,
Como Jesus a soluçar no Horto.


As caracaterísticas de Augusto dos Anjos, dentro do poema são o pessimismo e a angústia, quando fala que a mulher passa quase que sempre triste, não sei qual o motivo, mas que às vezes se esforça pra tentar dar um sorriso que não dura muito tempo e logo volta a tristeza e solidão.

Henrique Da Cas

A minha estrela

A meu irmão Aprígio A.


E eu disse - Vai-te, estrela do Passado!
Esconde-te no Azul da Imensidade,
Lá onde nunca chegue esta saudade,
- A sombra deste afeto estiolado.

Disse, e a estrela foi p’ra o Céu subindo,
Minh’alma que de longe a acompanhava,
Viu o adeus que do Céu ela enviava,
E quando ela no Azul foi-se sumindo

Surgia a Aurora - a mágica princesa!
E eu vi o Sol do Céu iluminando
A Catedral da Grande Natureza.

Mas a noute chegou, triste, com ela
Negras sombras também foram chegando,
E nunca mais eu vi a minha estrela!



A poesia minha estrela aborda a temática morte mas de uma maneira diferente,pois fala da saudade e da tristeza
que a morte de alguém querido causa em todas as pessoas, ela também fala que nós não devemos nos deixar levar
pela tristeza pois as pessoas que já se foram são "estrelas do passado" e devem apenas ficar em nossa lembrança.
Esse tipo de poesia não mostra muito das caracteristicas de Augusto dos Anjos
pois ele é conhecido por usar termos ápoeticos,e como podemos perceber o poema
consiste em uma homenagem do poeta ao seu falecido irmão Aprígio A e por isso ele não utiliza nehum
termo desse gênero.



Leticia Flôres

Nome Maldito

Das trombetas proféticas o alarde
Falou-lhe, por seus onze augúrios certos:
"É maldito o teu nome! E aos céus abertos,
Não há divina proteção que o guarde!"

Dúvidas cruéis! Momentos cruéis! Incertos
E cruéis momentos! Ânsias cruéis! E, à tarde,
Saiu aos tombos, como um cão covarde,
A percorrer desertos e desertos...

E, assombrado, com medo do Infinito,
Por toda a parte, onde, aos tropeços, ia,
Por toda a parte viu seu nome escrito!

Vieram-lhe as ânsias. Teve sede e fome...
E foi assim que ele morreu um dia
Amaldiçoado pelo próprio nome!

- Augusto dos Anjos

Essa poesia retrata uma pessoa que é perseguida ou tem mania de perseguição, pois onde vai vê o seu nome, acha que seu nome é maldito. Essa pessoa tenta fugir do seu nome, fugir das perseguições do dia-a-dia, mas não consegue e acaba se matando, por não comer.

Otavio H. M. Alves

DEBAIXO DO TAMARINDO

No tempo de meu Pai, sob estes galhos,
Como uma vela fúnebre de cera,
Chorei bilhões de vezes com a canseira
De inexorabilíssimos trabalhos.

Hoje, esta árvore, de amplos agasalhos,
Guarda, como uma caixa derradeira,
O passado da Flora Brasileira
E a paleontologia dos Carvalhos!

Quando pararem todos os relógios
De minha vida, e a voz dos necrológios
Gritar nos noticiários que eu morri,

Voltando à pátria da homogeneidade,
Abraçada com a própria Eternidade
A minha sombra há de ficar aqui!
(Augusto dos Anjos)

Pode-se dizer que essa poesia retrata o passar das gerações juntamente com a valorização e/ou evolução da Pátria, e por mais que houver diferenças dos "tempos de piá" aos tempos considerados atuais perante o tempo da poesia, ele irá de morrer aqui por mais que esteja em qualquer lugar, sua alma é patriota. Valorizando explicitamente a Pátria na 2ª estrofe, citando que em árvores e galhos velhos há de ter muitas "histórias", como um eterno diário dos anos que se passara.

Samantha Spall

O Canto dos Presos

Troa, a alardear bárbaros sons abtrusos,
O epitalâmio da Suprema Falta,
Entoado asperamente, em voz muito alta,
Pela promiscuidade dos reclusos!

No wagnerismo desses sons confusos,
Em que o Mal se engrandece e o Ódio se exalta,
Uiva, à luz de fantástica ribalta,
A ignomínia de todos os abusos!

É a prosódia do cárcere, é a partênea
Aterradoramente heterogênea
Dos grandes transviamentos subjetivos...

E a saudade dos erros satisfeitos,
Que, não cabendo mais dentro dos peitos,
Se escapa pela boca dos cativos!



O poema trata da tristeza da prisão, da humilhação e dos abusos sofridos. O canto, no qual o título se refere, seria quando não dava mais para suportar, " Que, não cabendo mais dentro dos peitos, se escapa pela boca dos cativos", expresso na ultima estrofe.

Matheus Dellaméa Baldissera :)

Mágoas - Augusto dos Anjos

Mágoas

Quando nasci, num mês de tantas flores,
Todas murcharam, tristes, langorosas,
Tristes fanaram redolentes rosas,
Morreram todas, todas sem olores.


Mais tarde da existência nos verdores
Da infância nunca tive as venturosas
Alegrias que passam bonançosas,
Oh! Minha infância nunca teve flores!


Volvendo à quadra azul da mocidade,
Minh’alma levo aflita à Eternidade,
Quando a morte matar meus dissabores.


Cansado de chorar pelas estradas,
Exausto de pisar mágoas pisadas,
Hoje eu carrego a cruz das minhas dores!



Essa poesia retrata perfeitamente todas as características que Augusto dos Anjos possuía no escrever de suas poesias. No verso, "Oh! Minha infância nunca teve flores!" ele mostra o pessimismo diante da vida. Já no verso, "Minh’alma levo aflita à Eternidade" ele coloca a angústia vivenciada. Ao final, conclui-se que em sua vida, só existiu sofrimento, tem razão os que concordam que Augusto dos Anjos era realmente, o "Poeta do mau gosto."

Bianca Fenner

O DEUS-VERME

Fator universal do transformismo.

Filho da teleológica matéria,

Na superabundância ou na miséria,

Verme - é o seu nome obscuro de batismo.


Jamais emprega o acérrimo exorcismo

Em sua diária ocupação funérea,

E vive em contubérnio com a bactéria,

Livre das roupas do antropomorfismo.


Almoça a podridão das drupas agras,

Janta hidrôpicos, rói vísceras magras

E dos defuntos novos incha a mão...


Ah! Para ele é que a carne podre fica,

E no inventário da matéria rica

Cabe aos seus filhos a maior porção!



Nesta poesia, podemos encontrar várias das características do poeta Augusto dos Anjos, como por exemplo, a comparação de Deus com um verme, a fixação pela morte (Em sua diária ocupação funérea), o pessimismo e a angústia (Na superabundância ou na miséria), uso de termos anti-poéticos (Verme - é o seu nome obscuro de batismo) (Ah! Para ele é que a carne podre fica).

Assim, Augusto tenta comparar Deus com um verme, ao passo que responsabiliza ambos, pela absorvição terrena da carne. Comparar Deus com um verme? Não é a toa que ele era considerado o "Poeta de Mal Gosto".



Ítalo Bevilaqua

Soneto - Augusto dos Anjos

Agregado infeliz de sangue e cal,
Fruto rubro de carne agonizante,
Filho da grande força fecundante
De minha brônzea trama neuronial,

Que poder embriológico fatal
Destruiu, com a sinergia de um gigante,
Em tua morfogênese de infante
A minha morfogênese ancestral?!

Porção de minha plásmica substância,
Em que lugar irás passar a infância,
Tragicamente anônimo, a feder?!...

Ah! Possas tu dormir, feto esquecido,
Panteisticamente dissolvido
Na noumenalidade do NÃO SER!



O poema trata da morte de um feto, e é possível presumir que fosse filho do eu lírico, pois está escrito: "porção de minha plásmica substância", o que dá a idéia de proximidade entre o feto morto e o eu lírico. Também aborda o fato de que como provavelmente o feto não nasceu, ele não chegou a "ser", fato expresso destacadamente pelas letras maiúsculas das palavras não ser.

Ana Luisa

Poesias de Augusto dos Anjos. Interpretações...

Como primeiro trabalho a ser publicado no blog, quero a postagem e a interpretação de uma poesia de Augusto dos Anjos. Não esqueçam que é importantíssimo a argumentação individual para uma boa análise de minha parte à interpretação dada. Bom trabalho!

Prof. Alexandre Flores

Sejam Bem-vindos!

Caros alunos da turma 301 do Colégio Coração de Maria...

Primeiramente gostaria de parabenizá-los pela conquista deste espaço, que além de agregar conhecimentos diversos de nosso conteúdo também servirá para a postagem de trabalhos exigidos em sala de aula e textos de autoria de vocês (poesia, contos, crônicas, críticas, charges, desenhos, fotografias, vídeos, opiniões, etc.), tudo isso com um objetivo de tornar esse blog mais uma ferramenta de auxílio para seus estudos e de disseminação do que aprenderam para todos que a ele acessarem.

Regras para uso do Blog:

1ª) Este Blog é de uso exclusivo dos alunos da turma 301 do Colégio Coração de Maria e de seu Prof. Alexandre Flores, pois somente nós temos acesso para as postagens;
2ª) As postagens devem estar relacionadas ou vinculadas, de alguma maneira, ao conteúdo de Literatura;
3ª) Qualquer pessoa pode fazer comentários sobre as postagens;
4ª) As postagens relativas a trabalhos exigidos em sala de aula devem ser publicadas no prazo de uma semana;
5ª) Toda postagem deve, necessariamente, ter o nome do aluno que a postou;
6ª) Cabe somente ao Prof. Alexandre Flores a tarefa de excluir postagens inadequadas ou de conteúdo impróprio;
7ª) É de responsabilidade de cada aluno cuidar da redação correta das postagens, por isso sugiro que revisem com muita atenção antes de publicarem qualquer texto.

Não esqueçam: “ É preciso ler para crer”