terça-feira, 3 de março de 2009

Versos d’um exilado

Eu vou partir. Na límpida corrente
Rasga o batel o leito d’água fina
- Albatroz deslizando mansamente
Como se fosse vaporosa Ondina.
Exilado de ti, oh! Pátria! Ausente
Irei cantar a mágoa peregrina
Como canta o pastor a matutina
Trova d’amor, à luz do sol nascente!

Não mais virei talvez e, lá sozinho,
Hei de lembrar-me do meu pátrio ninho,
D’onde levo comigo a nostalgia
E esta lembrança que hoje me quebranta
E que eu levo hoje como a imagem santa
Dos sonhos todos que já tive um dia!
Augusto dos Anjos
Interpretação:

O autor refere-se ao sentimento de exílio, isto é, um afastamento de sua amada terra. No decorrer do poema, ele lembra-se das belezas da pátria, e acompanhado a isso, ressalta a questão da saudade e da mágoa de não estar em seu “pátrio ninho”, e também dos sonhos ou projetos que realizou ou deixou de realizar.
Êmily de Amarante Portella

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