"Agora, sim! Vamos morrer, reunidos,
Tamarindo de minha desventura,
Tu, com o envelhecimento da nervura,
Eu, com o envelhecimento dos tecidos!
Ah! Esta noite é a noite dos Vencidos!
E a podridão, meu velho! E essa futura
Ultrafatalidade de ossatura,
A que nos acharemos reduzidos!
Não morrerão, porém, tuas sementes!
E assim, para o Futuro, em diferentes
Florestas, vales, selvas, glebas, trilhos,
Na multiplicidade dos teus ramos,
Pelo muito que em vida nos amamos,
Depois da morte, inda teremos filhos!"
Interpretação:
O poema possui como tema principal a morte, e nele é utilizado alguns termos como: "Ultrafatalidade de ossatura", "podridão", "envelhecimento dos tecidos", que são considerados termos anti-poéticos, muito utilizados por Augusto dos Anjos. Nas duas primeiras estrofes, o poema ganha características mais pessimistas, falando mais sobre a morte, como é mostrado nos fragmentos:
"Agora, sim! Vamos morrer, reunidos"
e
"E a podridão, meu velho! E essa futura
Ultrafatalidade de ossatura,
A que nos acharemos reduzidos!"
E nas duas últimas estrofes do poema, a morte é deixada um pouco de lado para mostrar as coisas que hão de vir após ela, como pode ser observado nos fragmentos a seguir:
"Não morrerão, porém, tuas sementes!"
e
"Depois da morte, inda teremos filhos!"
Pedro Augusto Lamana Barboza
domingo, 8 de março de 2009
Vozes da Morte
Digitado por Turma 301 às 19:22
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