A meu Pai doente
Para onde fores, Pai, para onde fores,
Irei também, trilhando as mesmas ruas...
Tu, para amenizar as dores tuas,
Eu, para amenizar as minhas dores!
Que cousa triste! O campo tão sem flores,
E eu tão sem crença e as árvores tão nuas
E tu, gemendo, e o horror de nossas duas
Mágoas crescendo e se fazendo horrores!
Magoaram-te, meu Pai?! Que mão sombria,
Indiferente aos mil tormentos teus
De assim magoar-te sem pesar havia?!
— Seria a mão de Deus?! Mas Deus enfim
É bom, é justo, e sendo justo, Deus,
Deus não havia de magoar-te assim!
Augusto dos Anjos
Como podemos ver, neste poema, Augusto dos Anjos demonstra angústia perante a doença do pai e descrença quanto a sua recuperação. Ele parece inconformado, e querendo saber quem foi o causador dos males do pai. Na primeira estrofe, ele deseja, sentir a mesma dor que o pai sente, como se isso pudesse amenizar a dor que ele sente, e ao mesmo tempo cura-lo.
Laura Gross
segunda-feira, 2 de março de 2009
A meu pai doente.
Digitado por Turma 301 às 21:12
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