segunda-feira, 2 de março de 2009

Soneto - Augusto dos Anjos

Agregado infeliz de sangue e cal,
Fruto rubro de carne agonizante,
Filho da grande força fecundante
De minha brônzea trama neuronial,

Que poder embriológico fatal
Destruiu, com a sinergia de um gigante,
Em tua morfogênese de infante
A minha morfogênese ancestral?!

Porção de minha plásmica substância,
Em que lugar irás passar a infância,
Tragicamente anônimo, a feder?!...

Ah! Possas tu dormir, feto esquecido,
Panteisticamente dissolvido
Na noumenalidade do NÃO SER!



O poema trata da morte de um feto, e é possível presumir que fosse filho do eu lírico, pois está escrito: "porção de minha plásmica substância", o que dá a idéia de proximidade entre o feto morto e o eu lírico. Também aborda o fato de que como provavelmente o feto não nasceu, ele não chegou a "ser", fato expresso destacadamente pelas letras maiúsculas das palavras não ser.

Ana Luisa

2 comentários:

Turma 301 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Turma 301 disse...

Muito bom Ana! Parabéns pela interpretação...principalmente pelo vocabulário difícil e a subjetividade da poesia de Augusto dos Anjos que vocês escolheu. Continue assim! Beijos!

Prof. Alexandre