Agregado infeliz de sangue e cal,
Fruto rubro de carne agonizante,
Filho da grande força fecundante
De minha brônzea trama neuronial,
Que poder embriológico fatal
Destruiu, com a sinergia de um gigante,
Em tua morfogênese de infante
A minha morfogênese ancestral?!
Porção de minha plásmica substância,
Em que lugar irás passar a infância,
Tragicamente anônimo, a feder?!...
Ah! Possas tu dormir, feto esquecido,
Panteisticamente dissolvido
Na noumenalidade do NÃO SER!
O poema trata da morte de um feto, e é possível presumir que fosse filho do eu lírico, pois está escrito: "porção de minha plásmica substância", o que dá a idéia de proximidade entre o feto morto e o eu lírico. Também aborda o fato de que como provavelmente o feto não nasceu, ele não chegou a "ser", fato expresso destacadamente pelas letras maiúsculas das palavras não ser.
Ana Luisa
segunda-feira, 2 de março de 2009
Soneto - Augusto dos Anjos
Digitado por Turma 301 às 18:45
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2 comentários:
Muito bom Ana! Parabéns pela interpretação...principalmente pelo vocabulário difícil e a subjetividade da poesia de Augusto dos Anjos que vocês escolheu. Continue assim! Beijos!
Prof. Alexandre
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