segunda-feira, 9 de março de 2009

Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e retilância,
Sofro,desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-se à boca uma ânsia análoga a ânsia
Que se escapa da boca um cardíaco.

Já o verme- este operário das reúnas
Que o sangue podre das carnificinas
Come, a á vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânoca da terra!


Interpretação
A linguagem usada por Augusto dos Anjos é bem diferente das linguagens
existentes nos outros poetas.
Ele usa palavras anti-poéticas como o carbono, amoníaco, epigênesis hipocondríaco
verme...Todas as palavras usadas por ele provém da ciência Química.
O eu-lírico encara a vida e a si mesmo de uma maneira pessimista negativa,
pois para ele o homem é matéria química e acredita que tudo caminha para destruição.
A morte que é enfocada nas duas ultimas estrofes é considerada o destino final e
fatal, pois representa pela imagem do verme a comer"sangue podre".


Jéssica Trevisan Raymundo

0 comentários: