Hoje que a mágoa me apunhala o seio,
E o coração me rasga atroz, imensa,
Eu a bendigo da descrença em meio,
Porque eu hoje só vivo da descrença.
À noite quando em funda soledade
Minh'alma se recolhe tristemente,
Pra iluminar-me a alma descontente,
Se acende o círio triste da Saudade.
E assim afeito às mágoas e ao tormento,
E à dor e ao sofrimento eterno afeito,
Para dar vida à dor e ao sofrimento,
Da saudade na campa enegrecida
Guardo a lembrança que me sangra o peito,
Mas que no entanto me alimenta a vida.
Interpretação: Com esse poema Augusto dos Anjos consegue demonstrar com palavras sentimentos que só quem já sofreu por saudade consegue entender. Porém acredito que o diferencial desta poesia, (e particularmente o detalhe que me chamou mais a atenção) é o fato de ela terminar afirmando que se sentimos a saudade é porque temos algo ou alguém que nos motive a sentir isso, e são essas lembranças boas que acabam nos fazendo não só superar os sentimentos ruins, como também nos dando motivo para viver!
Bibiana Ramos
domingo, 8 de março de 2009
SAUDADE
Digitado por Turma 301 às 20:31
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