segunda-feira, 9 de março de 2009

Vandalismo - Augusto dos Anjos

Vandalismo


"Meu coração tem catedrais imensas,
Templos de priscas e longínquas datas,
Onde um nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças.


Na ogiva fúlgida e nas colunatas
Vertem lustrais irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.


Como os velhos Templários medievais
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos claros e risonhos ...

E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
No desespero dos iconoclastas
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos! "



Interpretação, por Andressa Marian da Silva:

O eu- lírico relata o auto-descobrimento.
Descreve como antes era puro e intocado, até o momento em que resolve explorar os cantos desconhecidos do seu coração.
Ao chegar a esse interior, ele descobre que toda a beleza que nele permanecia não pode mais continuar intacta, pois agora ela dará lugar a outros sentimentos não tão belos e não tão inocentes, conforme ele tem de encarar a realidade.
Ele tem que destruir os sentimentos bons que são a fraqueza do ser humano, ao invadir o seu próprio coração, dando nome assim, à poesia: Vandalismo.

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