segunda-feira, 2 de março de 2009

Mágoas - Augusto dos Anjos

Mágoas

Quando nasci, num mês de tantas flores,
Todas murcharam, tristes, langorosas,
Tristes fanaram redolentes rosas,
Morreram todas, todas sem olores.


Mais tarde da existência nos verdores
Da infância nunca tive as venturosas
Alegrias que passam bonançosas,
Oh! Minha infância nunca teve flores!


Volvendo à quadra azul da mocidade,
Minh’alma levo aflita à Eternidade,
Quando a morte matar meus dissabores.


Cansado de chorar pelas estradas,
Exausto de pisar mágoas pisadas,
Hoje eu carrego a cruz das minhas dores!



Essa poesia retrata perfeitamente todas as características que Augusto dos Anjos possuía no escrever de suas poesias. No verso, "Oh! Minha infância nunca teve flores!" ele mostra o pessimismo diante da vida. Já no verso, "Minh’alma levo aflita à Eternidade" ele coloca a angústia vivenciada. Ao final, conclui-se que em sua vida, só existiu sofrimento, tem razão os que concordam que Augusto dos Anjos era realmente, o "Poeta do mau gosto."

Bianca Fenner

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