sexta-feira, 6 de março de 2009

APÓSTROFE À CARNE

APÓSTROFE À CARNE

Quando eu pego nas carnes do meu rosto
Pressinto o fim da orgânica batalha:
- Olhos que o húmus necrófago estraçalha,
Diafragmas, decompondo-se, ao sol posto...

E o Homem - negro e heteróclito composto,
Onde a alva flama psíquica trabalha.
Desagrega-se e deixa na mortalha
O tato, a vista, o ouvido, o olfato e o gosto!

Carne, feixe de mônadas bastardas.
Conquanto em flâmeo fogo efêmero ardas,
A dardejar relampejantes brilhos.

Dói-me ver, muito embora a alma te acenda,
Em tua podridão a herança horrenda,
Que eu tenho de deixar para os meus filhos!


Neste poema, o autor apresenta o que há de mais nojento, podre, e pessimista, contando versos que vão desde a decomposição da matéria até a visão filosófica e ao mesmo tempo trágica da vida.
"Em tua podridão a herança horrenda,
Que eu tenho de deixar para os meus filhos!"

Rafael Carlesso Aita

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