Acordou, vendo sangue... Horrível! O osso
Frontal em fogo... Ia talvez morrer,
Disse. Olhou-se no espelho. Era tão moço,
Ah! Certamente não podia ser!
Levantou-se. E, eis que viu, antes do almoço,
Na mão dos açougueiros, a escorrer
Fita rubra de sangue muito grosso,
A carne que ele havia de comer!
No inferno da visão alucinada,
Viu montanhas de sangue enchendo a estrada,
Viu vísceras vermelhas pelo chão...
E amou, com um berro bárbaro de gozo,
O monocromatismo monstruoso
Daquela universal vermelhidão!
Augusto dos Anjos
Nesta poesia de Augusto dos Anjos, o eu-lírico relata a história de um jovem que, ao acordar vê sangue e acredita que está para morrer. Logo depois, num momento de desvaneio, tem uma alucinação onde vê montanhas de sangue e vísceras vermelhas espalhadas pelo chão, e surpreendentemente ama aquele monocromatismo monstruoso.
A poesia apresenta várias características presentes na obra do "poeta do mal gosto", tais como: toques de subjetivismo, uso de termos antipoéticos (montanhas de sangue, vísceras vermelhas...) e características de poesia gótica (amar a cor vermelha de sangue e vísceras).
Gustavo Arrua Fantinel
terça-feira, 3 de março de 2009
A Obsessão do Sangue
Digitado por Turma 301 às 20:05
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