Fator universal do transformismo.
Filho da teleológica matéria,
Na superabundância ou na miséria,
Verme - é o seu nome obscuro de batismo.
Jamais emprega o acérrimo exorcismo
Em sua diária ocupação funérea,
E vive em contubérnio com a bactéria,
Livre das roupas do antropomorfismo.
Almoça a podridão das drupas agras,
Janta hidrôpicos, rói vísceras magras
E dos defuntos novos incha a mão...
Ah! Para ele é que a carne podre fica,
E no inventário da matéria rica
Cabe aos seus filhos a maior porção!
Nesta poesia, podemos encontrar várias das características do poeta Augusto dos Anjos, como por exemplo, a comparação de Deus com um verme, a fixação pela morte (Em sua diária ocupação funérea), o pessimismo e a angústia (Na superabundância ou na miséria), uso de termos anti-poéticos (Verme - é o seu nome obscuro de batismo) (Ah! Para ele é que a carne podre fica).
Assim, Augusto tenta comparar Deus com um verme, ao passo que responsabiliza ambos, pela absorvição terrena da carne. Comparar Deus com um verme? Não é a toa que ele era considerado o "Poeta de Mal Gosto".
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