segunda-feira, 9 de março de 2009

A Idéia

De onde ela vem?! De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cal de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?

Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!

Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas da laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica...

Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No molambo da língua paralítica!

Na poesia acima o Eu lírico demonstra certa dúvida de onde as idéias surgem. Ele compara-as às forças do mal e ao abstrato. Cita que as idéias são frutos do inexistente e da desintegração ("Do feixe de moléculas nervosas que em desintegrações maravilhosas delibera, e depois quer e executa"). Dessa mesma forma, dá-se a entender que nem sempre as idéias são analisadas e/ou refletidas antes de pô-las em prática.

Ricardo Gomes

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